Mobilidade em Sintra: é este o caminho?

Com a introdução das alterações na circulação de trânsito no acesso ao Centro Histórico de Sintra anunciada para a partir das 22H00 do próximo dia 26 de março, importa reforçar a posição dos Vereadores eleitos pela Coligação "Juntos Pelos Sintrenses".

Por um lado, a importância do tema para os residentes e agentes económicos, bem como a imprevisibilidade da aplicação das medidas apresentadas sobre o turismo, impunha que a proposta tivesse sido apresentada com o tempo suficiente para que os vereadores eleitos, todos os vereadores, pudessem apreciá-la com rigor para a poderem votar em consciência.

E são de diferente natureza as preocupações que lhes são suscitadas, permitindo-nos elencar as seguintes:

  • Não existem novas alternativas de estacionamento, uma vez que são divulgadas apenas as existentes, já esgotadas e manifestamente insuficientes;
  • Embora garantida a circulação dos veículos prioritários e de emergência, continuam sinalizados alguns pontos críticos;
  • Apesar do reforço de policiamento e vigilância nas zonas sensíveis, receia-se alguma tensão, agravado ainda pelo facto dos sistemas de GPS ainda não incorporarem estas novas alterações;
  • A inexistência de transportes alternativos que assegurem a mobilidade local dos visitantes;
  • Desconhecimento do sistema de identificação local dos moradores, bem como dos comerciantes locais.

Entendem também os mesmos ser inoportuno o momento da sua entrada em vigor já que o período pascal é um dos momentos de maior procura de Sintra por parte de turistas, sobretudo espanhóis, facto que desaconselha, por si só, qualquer alteração de trânsito, sem ser previamente testada em período de menor "carga".

Conheça aqui a fundamentação da nossa posição:

Presente na Reunião Ordinária e Privada da Câmara Municipal de Sintra de 13 de março, a proposta relativa às alterações na circulação viária no Centro Histórico de Sintra, subscrita pelo seu Vice-Presidente, para deliberação pelo Executivo Camarário, suscitaria a mesma o Voto Contra dos Vereadores da Coligação “Juntos Pelos Sintrenses”.

Não que as questões da mobilidade em geral não se assumam como um desígnio a prosseguir pela gestão municipal no âmbito do território, já que os problemas específicos de falta de fluidez do trânsito no acesso aos principais locais de interesse patrimonial, vêm reclamando uma particular atenção e o ensaio de soluções sustentadas numa avaliação concertada que conduzam à implementação de medidas que procurem a conciliação dos interesses em presença.

Depois de, em diferentes circunstâncias, ter o Executivo Camarário anunciado estar a ser trabalhado um Plano de Mobilidade, que conduziu até no anterior  mandato a uma aquisição de serviços especializados para o efeito e dessa matéria ter justificado, ao nível do actual organograma da CMS, a criação dum Gabinete de Mobilidade e Transportes, o que parecia indiciador da assunção duma importância e centralidade incontornáveis, surgiu agora o momento para apresentação duma Proposta visando a introdução de alterações significativas na circulação.

Evidentes fragilidades ao nível da forma e do conteúdo foram desde logo denunciadas:

Uma matéria de tal importância e complexidade foi partilhada com os Vereadores apenas na véspera (ao final da tarde) do dia que antecedeu a 
Reunião do Executivo, naquilo que naturalmente inviabilizara uma reflexão e análise que se exigiam atentas e circunstanciadas e era omissa 
qualquer memória descritiva que sustente o modelo proposto ou quaisquer referências a consultas realizadas ou àquilo que seria uma sã troca de impressões havida com os diferentes agentes, procurando conformizar o preconizado com o que é por eles vivenciado, envolvendoos, como seria desejável, na solução desenhada.

E são várias as preocupações que nos são suscitadas pelas alterações a aplicar a partir das 22H00 do próximo dia 26:

  • Não existem novas alternativas de estacionamento, uma vez que são divulgadas apenas as existentes, já esgotadas e manifestamente
    insuficientes;
  • Embora garantida a circulação dos veículos prioritários e de emergência, continuam sinalizados alguns pontos críticos;
  • Apesar do reforço de policiamento e vigilância nas zonas sensíveis, receia-se alguma tensão, agravado ainda pelo facto dos sistemas de GPS
    ainda não incorporarem estas novas alterações;
  • A inexistência de transportes alternativos que assegurem a mobilidade local dos visitantes;
  • Desconhecimento do sistema de identificação local dos moradores, bem como dos comerciantes locais;
  • Surge inoportuno o momento da sua entrada em vigor já que o período pascal é um dos momentos de maior procura de Sintra por parte de
    turistas, sobretudo espanhóis, facto que desaconselha, por si só, qualquer alteração de trânsito, sem ser previamente testada em período
    de menor "carga".

Ao defendermos uma visão global e integrada da mobilidade e transportes em Sintra sobram-nos legítimas e sérias dúvidas de que a mobilidade em Sintra vá realmente mudar para melhor.

Sintra, aos 23 de março de 2018
“Coligação JUNTOS PELOS SINTRENSES”

 

Reportagem da SIC, no dia 25 de março de 2018:

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